sábado, 26 de agosto de 2017

MAR



Num banco sentado à beira mar

Pensando não sei bem o quê

Vejo-o na areia mergulhar

Entrando, e o seu poder a gente vê



Batem as ondas nas rochas

Sem qualquer imaginação

Deixando a espuma nas conchas

Onde se esconde o mexilhão



Naquele banco pensando, pensando

A ver aquela imensidão sem fim

E a sua grandeza admirando

Com a certeza que jamais verei o fim



Quase tudo o mar nos fornece

E tudo por ele é suportado

O que é dúbio ele esclarece

O que a ele não pertence para fora é levado



Por ele novos mundos se descobriram

Não deixando de haver dificuldades

Quando o cabo das tormentas dobraram

Começando a haver mais facilidades



Naquele banco à beira mar sentado

Na avenida da Quarteira vejo

Pescadores que regressam com o pescado

Para a população satisfazer o seu ensejo



Oh mar de água salgada e profunda

Marcado por oceanos e mares

Tanta riqueza que no fundo abunda

Afundadas por tempestades e marés



                                                                                  M. Pires 25-07-2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

Olhos Negros







Por teus olhos negros, negros,

Trago eu negro o coração,

De tanto pedir-lhe amores...

E eles a dizer que não.



E mais não quero outros olhos,

Negros, negros como são;

Que os azuis dão muita esperança

Mas fiar-me eu neles, não.



Só negros, negros os quero;

Que, em lhes chegando a paixão,

Se um dia disserem sim...

Nunca mais dizem que não.



Almeida Garrett

terça-feira, 6 de junho de 2017

Despedida



Nesta hora sinto as mãos a tremer,    
A minha memória a ficar vazia                        
A serenidade está a estremecer                     
Para escrever falta-me a ousadia
           
A despedida me entristece,                  
Me invade uma grande emoção         
Vou deixar a Usalbi, acontece!                        
Porque vou viver noutra região,

Não sei se será uma aventura
O novo caminho escolhido,
Espero que haja alguma ventura
Para um futuro que está escondido

Resta levar comigo a vossa amizade
A mesma quero também retribuir,
Dez anos que passei em fraternidade
Que agora da Usalbi deixo de usufruir,

Aos professores e companheiros
Deles, e de Castelo Branco despeço
Para mim serão sempre os primeiros
A todos saúdo, e dou o meu apreço,

Foram dez anos em harmonia
Convividos nesta universidade,
Mas teria de acontecer um dia
 De vós vou sentir saudade,

Dos poetas e escritores que muito gostei
Pela orientação da Doutora Milola
E de toda a Usalbi que escolhi, e acertei
As saudades que vou ter da nossa escola

De todos os Professores
Me despeço e quero agradecer
Por serem alguns dos mentores
Da escola que não para de crescer

Da Lena e Ana Sofia
Sempre prontas a ajudar
Trabalham muito e com simpatia
Para à escola nada faltar

Por último mas sempre o primeiro
O seu Diretor Sr. Eng. Arnaldo Braz
Em Castelo Branco foi o pioneiro
Desenvolveu o projeto que muito me apraz

Até Sempre

                                                           M. Pires, 05 de Novembro 2016

agonia

Agonia Chamaram lhe agonia,
A um programa televisivo
Jamais imaginei um dia,
Ver um programa tão intensivo

O que sofreu aquele rapaz,
Porque caiu no mundo da droga
Compreendeu e foi capaz,
De por a sua vontade à prova

Se na lama mergulhou,
Sem ser fácil a sua saída
Pensando no que falhou
Quis partir para nova vida

 Passou pela dor e sofrimento
Pelas Câmaras se via a ressaca
O sofrer se via a cada momento
Mas o crer viver, se destaca

Onde tudo de mau acontece
Que naquele mundo tudo se perdia
E na vontade dele se reconhece
Que na solução, houve valentia            M.Pires

sábado, 30 de abril de 2016

Já não se levantou






Um gesto esboçou

Com um sorriso derradeiro

O seu olhar, o infinito alcançou

Parou o coração traiçoeiro



O país ficou chocado

Com tão inesperado acidente

No chão caiu desamparado

E ninguém ficou indiferente



Por todos foi homenageado

Pelo seu valor, grande simpatia

Na família tudo ficou assombrado

Com acontecimento desse dia



O seu nome gritado em coro

Por aqueles, que dele gostavam

Para muitos foi um intenso choro

Noutros as palavras se abafavam



Jogava futebol no Benfica

Aí, o seu valor foi reconhecido

A triste recordação em muitos fica

Para a família nunca foi bem entendido



Vinte e cinco de Janeiro

Para Fehér foi fulminante

É verdade que não foi o primeiro

Mas visto na televisão, foi chocante



Tanta emoção nas pessoas deixou

Dois mil e quatro, para ele foi fatal

Caiu com enfarte, e à terra baixou

Indo morrer em Guimarães no hospital

                                              

                                                                       M. Pires 25-01-2004

Fixo o olhar






Fixo o meu olhar

Na penumbra do pensamento

Não por ser de talento

A expressão do meu pensar

 Quero apenas dar seguimento

A uma ideia dispersa

Escrevendo eu reinvento

No meu passado que se atravessa.

Há palavras que parecem ser ocas

Não beijam, mas mordem

São como as canções loucas

Que cantam às crianças que dormem



                                                                                              M.Pires